Diretoria ABR
 
Presidente: Antonio Carlos Ximenes

1º Vice-Presidente: Walber Pinto Vieira
2º Vice-Presidente: Elizia Fernandes Lima
3º Vice-Presidente: João Francisco Marques Neto
4º Vice-Presidente: Joaquim Jaguaribe Nava Ribeiro

Secretário Geral: Lauredo Ventura Bandeira
1º Secretário: José Francisco Conte

Tesoureiro: Mário Newton Leitão Azevedo

Diretor Científico/Eventos: Aloysio João Fellet
 
Conselho Deliberativo
Membros da Diretoria


Ex-Presidentes
- Roberto Carneiro
-Aloysio J. Fellet
-Rubem Lederman
-Geraldo W.S. Gonçalves
-Ueliton Vianna
-Lipe Goldstein
-Adil Muhib Samara

Membros Conselheiros

Geraldo Gonçalves
Joaquim Nava Monteiro
Aquilles de Almeida Cruz
Hilton Seda
Wiliam Habib Chahade

Boletim Acadêmico

José Knoplich
Roberto Carneiro
Lauredo Ventura Bandeira

Sede Provisória
Avenida Ismerino Soares de Carvalho 742 5º Andar
Setor Aeroporto
Goiânia Goiás
CEP 74075-040
Telefones
(62) 32255290
(62) 99781896

Editado pela Medgraf
011-3826-7805

   
 

Origem das Academias
Prof. Geraldo  Wilson da Silveira Gonçalves

A história não é tão somente uma sequência de fatos, se não que se acompanha dos faustos de que se originaram e dos sentimentos que inspiram. Além do mais,  se trata de vetustos deles, como os da Antiguidade Grega, de tantos deuses e de tantas lendas, a cada passo, mito e realidade se confundem.

Dentro do âmbito de tais pensares, tiveram origem as academias. Conta-se que Dióscoros, Castor e Pollux, filhos de Júpiter, desceram a Península Áttica, em busca da irmã Helena, de estonteante e provocadora beleza, que havia sido raptada por Theseus.

As buscas foram auxiliadas incansavelmente pelo herói grego Akademus, a quem por tais favores, foi pelos deuses assegurada a intocabilidade de seus domínios, cerca de Athenas. Nestes, foi edificado um templo dedicado a Atheneia, a deusa da sabedoria e da inteligência, em torno de cujo altar se dispunham doze oliveiras sagradas, que se incorporariam à heráldica de todos os tempos. Cercava-lhes jardim de inenarrável beleza, o jardim de Akademus.

Chega-nos a realidade de que ali reunia-se Platão para suas discussões filosóficas e de seus “diálogos”, origem de sua famosa Escola, que seria a primeira academia e guardaria seu nome e que nasceu, assim, da inteligência, da sabedoria e da beleza; e de raízes míticas, em as quais se caracterizariam a fraternidade, a solidariedade e a lealdade.

Seguir-se-iam centúrias de estudos sobre matemática, dialética, ciências naturais e até preparo de estadistas; até que, no ano de 529, o imperador romano Constantino, podou-lhes o caminho e a trajetória.

Mas, o que nasce dos deuses não pode fenecer. E as academias voltaram com o renascimento, ante a necessidade de novos conhecimentos, nas ciências quanto nas idéias. Neste momento, nosso presidente Lipe Goldensten revive e revitaliza as tertúlias, formas então usadas para discutir ciências e artes e os caminhos a perlustrar. A medicina estava entre os misteres da Academia de França, estabelecida em 1635, por Luiz XIII, e vinda de entidade privada.

O renascimento brasileiro chegou-nos, sem dúvida, ainda que tarde, com a vinda de Dom João VI, que haveria de transformar uma entidade também privada, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em Academia Imperial de Medicina que, com a República tomaria a atual designação. Assim que, por decreto de oito de maio de 1835, a oficializou, com propósitos assim definidos: “promover a ilustração, o progresso e a propagação das ciências médicas e socorrer gratuitamente os pobres, favorecendo e velando pela conservação e melhoramento da saúde pública. “Outros tempos e idéias se sucederiam nos avanços médicos-sociais, na criação de sociedades médicas, sindicatos, ordens e conselhos de medicina”.

Mas, continuam as academias em sua posição intangível e até  insubstituível e uma messe extensa e inspiradora. As academias poderão ser o último reduto, onde encontram as condições institucionais e as disponibilidades individuais – de cultura, de independência e de motivação – para que possam assumir posição vanguardeira nesse cometimento, doutrinando, esclarecendo, orientando, assessorando e reivindicando, sem timidez, o papel que irretorquivelmente lhes deve caber, de órgão participante das discussões e decisões que, em qualquer plano, envolvam a atividade médica, mesmo especializada.

Essa é a definição e a identidade das academias, tanto quanto da  Academia Brasileira de Reumatologia. E que  cabe a cada um dos academicos  o exercício de seus caminhos, na  fraternidade e na solidariedade, no culto de nossos princípios e na  salvaguarda de nossos valores maiores, éticos, morais e científicos-culturais; criaremos então, irreversivelmente “sprit de corp”, e a ninguém caberá privar-nos de direitos inalienáveis, no concerto associativo da especialidade.

Prof. Geraldo  Wilson da Silveira Gonçalves é ex - Professor de Reumatologia da Universidade Federal do Ceara. Presidente da Academia Brasileira de Reumatologia (1996-1998). Presidente da Academia Cearense  de Medicina (1994-1996). Depois de 15 anos de pesquisas historicas escreveu  Reumatologia Brasileira, Precursores e Pioneiros), publicado pela Casa de Jose Alencar, Fortaleza, 1996. É o livro base  de varias materias do site da Academia Brasileira de Reumatologia.