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Origem
das Academias
Prof.
Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves
A
história não é tão somente uma sequência de fatos, se não
que se acompanha dos faustos de que se originaram e dos sentimentos
que inspiram. Além do mais, se trata de vetustos deles, como
os da Antiguidade Grega, de tantos deuses e de tantas lendas,
a cada passo, mito e realidade se confundem.
Dentro
do âmbito de tais pensares, tiveram origem as academias. Conta-se
que Dióscoros, Castor e Pollux, filhos de Júpiter, desceram
a Península Áttica, em busca da irmã Helena, de estonteante
e provocadora beleza, que havia sido raptada por Theseus.
As
buscas foram auxiliadas incansavelmente pelo herói grego Akademus,
a quem por tais favores, foi pelos deuses assegurada a intocabilidade
de seus domínios, cerca de Athenas. Nestes, foi edificado
um templo dedicado a Atheneia, a deusa da sabedoria e da inteligência,
em torno de cujo altar se dispunham doze oliveiras sagradas,
que se incorporariam à heráldica de todos os tempos. Cercava-lhes
jardim de inenarrável beleza, o jardim de Akademus.
Chega-nos
a realidade de que ali reunia-se Platão para suas discussões
filosóficas e de seus “diálogos”, origem de sua famosa Escola,
que seria a primeira academia e guardaria seu nome e que nasceu,
assim, da inteligência, da sabedoria e da beleza; e de raízes
míticas, em as quais se caracterizariam a fraternidade, a
solidariedade e a lealdade.
Seguir-se-iam
centúrias de estudos sobre matemática, dialética, ciências
naturais e até preparo de estadistas; até que, no ano de 529,
o imperador romano Constantino, podou-lhes o caminho e a trajetória.
Mas,
o que nasce dos deuses não pode fenecer. E as academias voltaram
com o renascimento, ante a necessidade de novos conhecimentos,
nas ciências quanto nas idéias. Neste momento, nosso presidente
Lipe Goldensten revive e revitaliza as tertúlias, formas então
usadas para discutir ciências e artes e os caminhos a perlustrar.
A medicina estava entre os misteres da Academia de França,
estabelecida em 1635, por Luiz XIII, e vinda de entidade privada.
O
renascimento brasileiro chegou-nos, sem dúvida, ainda que
tarde, com a vinda de Dom João VI, que haveria de transformar
uma entidade também privada, a Sociedade de Medicina e Cirurgia
do Rio de Janeiro, em Academia Imperial de Medicina que, com
a República tomaria a atual designação. Assim que, por decreto
de oito de maio de 1835, a oficializou, com propósitos assim
definidos: “promover a ilustração, o progresso e a propagação
das ciências médicas e socorrer gratuitamente os pobres, favorecendo
e velando pela conservação e melhoramento da saúde pública.
“Outros tempos e idéias se sucederiam nos avanços médicos-sociais,
na criação de sociedades médicas, sindicatos, ordens e conselhos
de medicina”.
Mas,
continuam as academias em sua posição intangível e até insubstituível
e uma messe extensa e inspiradora. As academias poderão ser
o último reduto, onde encontram as condições institucionais
e as disponibilidades individuais – de cultura, de independência
e de motivação – para que possam assumir posição vanguardeira
nesse cometimento, doutrinando, esclarecendo, orientando,
assessorando e reivindicando, sem timidez, o papel que irretorquivelmente
lhes deve caber, de órgão participante das discussões e decisões
que, em qualquer plano, envolvam a atividade médica, mesmo
especializada.
Essa
é a definição e a identidade das academias, tanto quanto da
Academia Brasileira de Reumatologia. E que cabe a cada um
dos academicos o exercício de seus caminhos, na fraternidade
e na solidariedade, no culto de nossos princípios e na salvaguarda
de nossos valores maiores, éticos, morais e científicos-culturais;
criaremos então, irreversivelmente “sprit de corp”, e a ninguém
caberá privar-nos de direitos inalienáveis, no concerto associativo
da especialidade.
Prof.
Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves é ex
- Professor de Reumatologia da Universidade Federal do Ceara.
Presidente da Academia Brasileira de Reumatologia (1996-1998).
Presidente da Academia Cearense de Medicina (1994-1996).
Depois de 15 anos de pesquisas historicas escreveu Reumatologia
Brasileira, Precursores e Pioneiros), publicado pela Casa
de Jose Alencar, Fortaleza, 1996. É o livro base de varias
materias do site da Academia Brasileira de Reumatologia.
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