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A Escola de Cós
Na Escola de
Cós, da Antiga Grécia, dominava o conceito de
doença como afecção geral do organismo.
A medicina seria a arte de tratar o homem enfermo, segundo
as normas ditadas pela experiência e guiadas pela observação
minuciosa e esclarecida. A Escola de Cós é dominada
e "personificada" pela figura de Hipócrates.
Existem poucos
dados biográficos seguros acerca de Hipócrates.
Sabe-se que nasceu na ilha de Cós, filho de um médico
que foi seu primeiro mestre. Nasceu, provavelmente, cerca
do ano 460 a.C e morreu em idade avançada. Foi contemporâneo
dos filósofos Sócrates e Platão, de historiadores
como Heródoto e Tucídides, de escultores como
Fídias, de dramaturgos como Ésquilo, Sófocles
e Aristófanes. É do tempo de Hipócrates
a devastação de Cós, que era aliada de
Atenas, pelos Espartanos, na Guerra do Peloponeso (431-404
a.C).
São quatro
os princípios da medicina hipocrática:
1 - não
lesar o paciente;
2 - abster-se
do impossível: não prometer milagres;
3 - agir contra
a causa da doença;
4 – crer na força
curativa da natureza.
Para bem cumprir
estes quatro princípios, o médico hipocrático
deveria aplicar as seguintes regras:
- atacar a causa
da doença pelos seus contrários;
- agir com arte;
- não
intervir, em excesso, sobre o corpo do doente;
- educar o doente;
- individualizar
o tratamento, quanto a biótipo, sexo, idade, etc.;
- aproveitar
a "ocasião fugaz", oportuna para a intervenção;
- tratar o doente
como um todo e não só uma parte doente;
- agir guiado
pela ética.
As causas das
doenças, na teoria hipocrática, sustentava-se
na doutrina dos quatro humores: sangue, fleugma ou ptuíta,
bílis amarela e bílis negra. Quando estes humores
estão perfeitamente misturados e guardam a devida proporção,
uns em relação aos outros, o indivíduo
goza de saúde; se um desses elementos está em
falta ou excesso, ou está isolado no corpo sem se combinar
com todos os outros sente-se dor.
Sempre propunham
três tipos de tratamento:
sangria (para
eliminar os humores que se encontravam em excesso); purgante
(para completar a eliminação dos humores causadores
de doença) e dieta (para evitar que, a partir dos alimentos,
voltassem a se formar os maus humores).
Sempre estimular
a força curativa da natureza: quando o equilíbrio
orgânico é perturbado pela doença, a natureza
tende a restabelecer o equilíbrio humoral e a reconduzir
o organismo à normalidade.
Juramento
de Hipócrates
Pelo ano 400
a.C., Hipócrates escreveu esse Juramento, onde jura
solenemente usar sua Arte, unicamente, em benefício
dos pacientes.
"Juro por
Apolo médico, por Asclépio e por Higéia,
por Panacéia e por todos os deuses e deusas, tomando-os
por testemunhas, que cumprirei, segundo meu poder e minha
razão, o seguinte:
Considerarei
meu mestre em medicina como um pai …
Aplicarei os
regimes para o bem dos doentes, à medida do meu poder
e do meu entendimento e procurando evitar qualquer maldade
ou dano.
A ninguém
ministrarei um remédio mortal, mesmo a pedido, do paciente,
nem farei qualquer sugestão para tirar a vida …
Conservarei imaculada
minha vida e minha arte.
Calarei de tudo
quanto veja e ouça, dentro ou fora de minha atuação
profissional - que se refira à intimidade humana …
Se eu cumprir
esse juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente
minha vida e a de minha profissão, honrado para sempre
entre os homens; se dele me afastar ou infringi-lo, suceda-me
o contrário".
http://www.isc.uff.br/nesh/publica/mneme.htm
O símbolo
da medicina
Dois símbolos
têm sido usados representando a medicina: o símbolo
de Asclépio, representado por um bastão simples
com uma serpente em volta, e o símbolo de Hermes, chamado
caduceu, que consiste em um bastão mais bem trabalhado,
com duas serpentes dispostas em espirais ascendentes, simétricas
e opostas, e com duas asas na sua extremidade superior.
Ambos os símbolos
têm sua origem na mitologia grega; o de Asclépio,
deus da medicina, é o símbolo da tradição
médica; o de Hermes, deus do comércio, dos viajantes
e das estradas, foi introduzido tardiamente na simbologia
médica, constitui uma heresia, segundo o historiador
prof. Joffre M de Rezende, médico e Membro da Sociedade
Brasileira e da Sociedade Internacional de História
da Medicina (figura abaixo).

Em várias
esculturas gregas e romanas e em descrições
de textos clássicos, Asclépio é sempre
representado segurando um bastão com uma serpente em
volta.
O caduceu é,
de longa data, o símbolo do comércio e dos viajantes,
sendo por isso utilizado em emblemas de associações
comerciais, escolas de comércio, escritórios
de contabilidade e estações de estradas de ferro.
Por que o símbolo
do deus do comércio passou a ser usado também
como símbolo da medicina?
Várias
confusões foram estabelecidas nos nomes e símbolos,
no intercâmbio dos deuses da mitologia grega para a
latina e para a egípcia, na história da civilização.
Outro fato que, certamente, colaborou para estabelecer a confusão
entre os dois símbolos é o de se conferir o
mesmo nome de caduceu ao bastão de Asclépio,
criando-se uma equivalência infundada de caduceu comercial
e caduceu médico. Este erro vem desde o século
XIX e persiste até os dias de hoje.
A confusão
e a equivalência dos símbolos da medicina, foi
a adoção pelo Exército norte-americano,
do caduceu de Hermes, como insígnia do seu departamento
médico.
O bastão
de Asclépio e não o caduceu é que está,
historicamente, associado à medicina. Tanto na Inglaterra,
como na França e na Alemanha, os serviços médicos
das forças armadas utilizavam o bastão de Asclépio
em seus emblemas e não o caduceu de Hermes.
Finalmente, a
cor verde tem sido usada em conexão com a medicina;
tanto assim que, no Brasil, o anel de médico tem, incrustada,
uma pedra verde - esmeralda ou imitação.
O argumento,
de ordem subjetiva, é que a figura do caduceu é
mais estética do que o bastão de Asclépio
.
A Marinha norte-americana
adotou, igualmente, o caduceu como emblema de seu corpo médico,
ao contrário da Força Aérea, que mantém
em seu emblema o bastão de Asclépio.
Os Serviços
de Saúde Pública dos Estados Unidos, por sua
vez, adotaram um antigo emblema do Serviço Médico
da Marinha, no qual o caduceu se cruza com uma âncora
e cujo simbolismo anterior era o do comércio marítimo.
A verdade é
que toda a nossa cultura baseia-se na civilização
grega. Todos os aspectos
conceituais,
técnicos e éticos, da profissão médica,
tiveram seu berço na Grécia com a escola hipocrática.
Foi na Grécia que a medicina deixou de ser mágico-sacerdotal
para apoiar-se na observação clínica
e no raciocínio lógico. O símbolo mítico
de Asclépio, o bastão com uma única serpente,
representa a medicina grega em suas origens e do médico
imortal.
A Associação
Médica Americana, assim como a Associação
Médica Brasileira, tem o símbolo de Asclépio
em seu emblema, assim como, a maioria das sociedades médicas
regionais norte-americanas e internacionais, de caráter
científico ou profissional. A Organização
Mundial de Saúde, fundada em 1948, adotou o símbolo
de Asclépio. A Associação Médica
Mundial, em 1956, adotou um modelo padronizado do símbolo
de Asclépio para uso dos médicos civis.
Como estilizações
originais do símbolo de Asclépio pode-se citar
os seguintes exemplos:
- da Associação
Paulista de Medicina e o da Academia Brasileira de Medicina
Militar, em que o bastão toma a configuração
de uma espada;
- da Escola Paulista de Medicina,
em que o bastão é o próprio tronco
de uma árvore;
- da Sociedade Espanhola de
Medicina do Trabalho, em que o bastão assume a forma
de uma chave inglesa, como instrumento de trabalho.
Variantes do
caduceu têm sido igualmente utilizados, resultantes
de duas alterações, introduzidas no modelo original:
a primeira delas consiste em eliminar uma das serpentes, mantendo
as asas, a segunda, conservando as duas serpentes e eliminando
as asas.
No Brasil, prevalece,
no meio médico, o símbolo de Asclépio.
A Associação Médica Brasileira, assim
como as sociedades estaduais a ela filiadas, que possuem emblema
com a serpente, utilizam o símbolo correto do deus
da medicina.
O caduceu, como
símbolo da medicina, já pode ser encontrado,
em nosso País, em revistas e sociedades médicas
de fundação mais recente, e, até mesmo,
em algumas universidades.
Referências
bibliográficas:
1) Friedlander,
W.J.- The golden wand of medicine. Westport, Greenwood Press,
1992
2) Lázaro
Da Silva, A. Símbolo da medicina. Bol. Inf. C.B.C.
43-45, abril/junho 1999.
3) Rezende,
J M site http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende
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