Fundação da Academia Nacional de Medicina

Poucos anos após a descoberta do Brasil, o monarca português D. Manuel, em 1521, criou a fisicatura-mór, cargo do Físico-mór, que junto com o Cirurgião-mór, regulamentavam, fiscalizavam e licenciavam os profissionais médicos, para atuarem no Reino e através de seus delegados nas Colônias.

Estes cargos, a partir de 1782, passaram a ser exercidos pela junta do Protomedicato, sucedida, em 1799, pela Real Junta do Protomedicato, que elaborou os regimentos que passaram a vigorar em 1800, permanecendo a delegação de poderes no referente às colonias.

Em 18/02/1808, durante a estadia da Corte Real Portuguesa, de mudança para o Brasil, na Bahia, D.JoãoVI fundou a Escola de Cirurgia, no Hospital Real, atendendo à sugestão Cirurgião do Reino, José Corrêa Picanço, pernambucano, licenciado pela Universidade de Paris e que acompanhava a comitiva Real.

Já no Rio de Janeiro, em 15/11/1808, D.João VI fundou a Escola de Medicina, Anatômia e Cirurgia. À mesma época, extingue a Junta do Protomedicato, restaura os cargos de Físico-mor e de Cirurgião-mor que passam a exercer os poderes da extinta Junta, para licenciatura dos profissionais, habilitados por banca examinadora por eles designada.

Em 1812, o Dr. Manoel Luiz A. de Carvalho é designado diretor dos Cursos Médicos do Brasil. No ano seguinte consegue o decreto de criação da Academia Médico-Cirúrgica, com poderes para ditar normas aos cursos de Medicina, na Bahia e no Rio de Janeiro mas a licenciatura ainda dependia do Cirurgião-mór.

Em setembro de 1826, novo decreto concede exclusividade de licenciatura às Escolas de Medicina.

Em 1828, o Deputado Lino Coutinho apresentou projeto de Reforma do Ensino Médico que inicia lenta tramitação. Nesta época, a rudimentar medicina brasileira era praticada, com limitações, por médicos, parteiras, dentistas e boticários licenciados pelas escolas existentes e, amplamente, pelos médicos formados por universidades estrangeiras, especialmente de Coimbra e de Paris.

No Rio de Janeiro, o Hospital da Santa Casa de Misericórdia congregava a elite médica que em suas enfermarias se reunia para trocar idéias e experiências. Joaquim Soares de Meirelles fazia parte deste grupo e, pela experiência adquirida em Paris, onde frequentara sessões da Academia de Medicina, idealizou a criação de uma Associação Médica com a finalidade de promover reuniões para aperfeiçoar os conhecimentos dos médicos.

Em 30/06/29 instala-se a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, com 17 membros fundadores e natos, sob a presidência de seu idealizador, com a previsão estatutária de 25 membros titulares e de membros Honorários e Correspondentes. Naquele dia, conferiu o título de Presidente Honorário ao Ministro dos Negócios do Império José Joaquim Carneiro de Campos.

Em 15/01/1830, decreto Imperial reconhece a Sociedade e aprova seu Estatuto que estabeleceu os objetivos filantrópicos e a finalidade de melhorar o exército da medicina e de colaborar com o Governo nas questões de saúde, o que corresponderia, na atualidade, ao Ministério da Saúde e parcialmente, ao Ministério da Educação em questões de medicina.

Em 24/04/1830, realiza-se a primeira Sessão Solene oficial, com a presença do Imperador D. Pedro I, que a partir de então compareceu a muitas outras Sessões, especialmente aos aniversários.

Soares Meirelles criticou o projeto de Reforma do Ensino Médico, em tramitação na Câmara, com o apoio da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro e, em 03/10/1832, foi apressada a Reforma, homologada pelo regente em nome do Imperador, transformando as duas Escolas de Medicina existentes nas Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, fixando em seis anos a duração do Curso Médico.

Em 30/06/1835, em consequência de proposição de Soares Meirelles, o governo Imperial converte a Sociedade em Academia Imperial de Medicina, com objetivos e finalidades semelhantes, realizando-se Sessão Solene com a presença do Imperador - Menino D. Pedro II, acompanhado do Regente Francisco de Lima e Silva.

Ao longo dos seus mais de 150 anos de existência, a Academia serviu de órgão de consulta do governo sobre questões de saúde e de educação médica, realizou reuniões para discussão dos temas médicos e de interesse nacional. Continua promovendo congressos nacionais e internacionais, cursos de extensão e atualização; reúne-se semanalmente para discutir os assuntos médicos da atualidade com a participação de seus membros médicos e farmacêuticos.

Constitui-se de cem Membros Titulares, número variável de Eméritos, que são Titulares que optaram pela passagem a Emérito após 25 anos de empossados, todos brasileiros. Médicos nacionais e estrangeiros são eleitos para as categorias de Honorário e Correspondente.

A Academia pública, desde 1831, os anais da Academia Nacional de Medicina, inicialmente sob a denominação de Seminário de Saúde Pública, no qual são transcritos os trabalhos de seus membros e convidados e as atas de suas reuniões. Anualmente, distribui prêmios para autores de trabalhos selecionados aos quais concorrem profissionais não pertencentes aos seus quadros.

A Academia mantém museus Histórico e Educacional, denominados Museu I. de L. Neves Manta, e excelente Biblioteca com grande acervo de livros e periódicos de várias especialidades, ambos abertos ao público e com boa frequência. Oferece vários cursos de atualização ou extensão, anualmente.

Alguns dados complementares, importantes pelo significado histórico, são os seguintes:

  • Em 28/02/1885, o decreto nº9386 cria as Insígnas da Academia constantes de Medalha dourada pendente de colar, na qual se inscreve no anverso a efigie do busto de Hipócrates, gravada em relevo, e ao redor desta o título da Academia e, no reverso, a data do Decreto que criou este distintivo.

  • Em 21/11/1889, em atendimento ao Decreto nº 9 do Governo Provisório, após Sessão extraordinária, comunica a mudança de sua designação para Academia Nacional de Medicina.

  • Em 30/06/1890, na sessão aniversária, recebe a visita do Marechal Deodoro da Fonseca, na secretaria da Justiça e Negócios Interiores, sob a Presidência do Acadêmico José Cardoso Moura Brasil.

  • Em 06/11/1958, após sediar-se em prédios próprios, cedidos ou alugados, instalou-se, definitivamente, na atual sede, em Sessão Solene que contou com a presença do Exmº. Sr. Presidente da República Juscelino Kubitschek, sob a presidência do Acadêmico Deolindo Couto.

Tem conferido o título de Presidente Honorário a vários Presidentes da República, entre eles o atual, Fernando Henrique Cardoso e o Vice-Presidente Honorário a Ministros de Estado da Saúde, da Educação, e da Cultura.

Ao longo de sua existência, admitiu, até 20/08/1996, 586 membros titulares. Atualmente, as vagas abertas podem ser preenchidas por médicos ou farmacêuticos de todo o Brasil, conforme a Seção em que ocorrer a vaga, ou seja, na de Medicina (40 membros), na de Cirurgia (40 membros) e de Ciências Aplicadas a Medicina (20 vagas). Podem passar à categoria de Membro Emérito, os titulares que o desejem, depois de 25 anos da posse, e neste caso se abre uma vaga para titular na Seção correspondente.

Membros Honorários, Nacionais ou Estrangeiros, podem ser admitidos após aprovação pela Seção para que foram propostos, homologação pela Diretoria e eleição pela maioria, em Seção Plenária. O mesmo ocorre para Membro Correspondente, também nacional ou estrangeiro.

A Academia é uma Instituição filantrópica que não remunera os seus dirigentes, sob nenhum aspecto e recebe doações oficiais e de instituições privadas, para finalidades específicas, como por exemplo, pagamento da renovação de assinatura de seus periódicos da Biblioteca.

Cadeira 18 - Joaquim Vicente Torres Homem, empossado em 22/07/1830.